A obra do estádio municipal de Capitão de Campos tornou-se um dos exemplos mais emblemáticos da demora na conclusão de investimentos públicos no município. Iniciada em 2022, a construção segue sem uma solução definitiva, mesmo após sucessivas licitações e contratos que, juntos, representam milhões de reais em recursos públicos.
Os registros dos procedimentos licitatórios mostram que, ao longo dos últimos anos, foram realizados novos contratos para diferentes etapas da obra. Entre eles, uma Tomada de Preços em 2022, dois Pregões em 2023 e, mais recentemente, uma Concorrência em 2025, totalizando valores que ultrapassam os R$ 3,6 milhões.

O que mais chama a atenção da população, porém, não é apenas o volume de recursos empregados, mas os problemas estruturais que continuam surgindo. A cobertura metálica da arquibancada, por exemplo, já havia cedido anteriormente e, na última segunda-feira (27/07), voltou a desabar, reforçando os questionamentos sobre a qualidade da execução da obra e a efetividade da fiscalização dos serviços contratados.
Diante desse cenário, cresce o sentimento de que o município poderia ter direcionado parte desses recursos para áreas consideradas mais urgentes pela população. Enquanto o estádio permanece exigindo novos investimentos, moradores continuam enfrentando dificuldades no acesso à saúde, falta de medicamentos, necessidade de melhorias nas unidades básicas, ampliação de exames especializados e fortalecimento do atendimento médico.
A sucessão de contratos também desperta discussões sobre o planejamento da obra. Em vez de uma execução contínua e eficiente, o projeto passou por diferentes processos licitatórios ao longo de vários anos, aumentando o tempo de conclusão e os custos envolvidos. Quando uma obra pública exige constantes intervenções, aditivos ou novas contratações, é natural que surjam questionamentos sobre a economicidade e a correta aplicação dos recursos públicos.
Vale lembrar que esse projeto teve início ainda em 2022 e, naquela fase inicial, contou também com a participação de agentes públicos da gestão da época, entre eles um parlamentar que hoje exerce mandato de vereador. Desde então, entretanto, a obra atravessou diferentes administrações sem alcançar sua conclusão definitiva.
A população espera que os órgãos responsáveis apurem as causas dos problemas estruturais, identifiquem eventuais responsabilidades técnicas e administrativas e garantam que os recursos públicos sejam utilizados com eficiência. Mais do que concluir uma obra, é necessário assegurar que ela seja entregue com qualidade, segurança e durabilidade.
Enquanto isso, permanece a reflexão que muitos moradores fazem diariamente: quantos investimentos importantes para a saúde, para a assistência social, para a educação e para outras necessidades básicas poderiam ter sido realizados com parte dos milhões destinados a uma obra que, passados mais de quatro anos, ainda não oferece à população o resultado esperado?
