Uma operação conjunta realizada pelo Ministério Público do Trabalho no Piauí (MPT-PI) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resultou no resgate de dois trabalhadores que atuavam em uma carvoaria instalada em uma propriedade rural no município de Uruçuí, no Sul do estado.
Durante a fiscalização, os auditores e procuradores encontraram os trabalhadores vivendo em condições consideradas degradantes. Os alojamentos eram improvisados, construídos de forma precária em área de mata, sem estrutura adequada para moradia. O local não possuía banheiro, abastecimento de água, instalações para armazenamento de alimentos nem fornecimento de água potável. Também foi constatada a ausência de equipamentos de proteção para o exercício das atividades.
Segundo os órgãos fiscalizadores, os trabalhadores estavam submetidos à situação há cerca de dois meses e recebiam remuneração abaixo do salário mínimo. Diante das irregularidades identificadas, a equipe caracterizou a ocorrência como trabalho em condições análogas à escravidão.
Após a ação, os dois trabalhadores foram retirados do local e tiveram garantidos os direitos trabalhistas previstos em lei. O empregador foi identificado e realizou o pagamento das verbas rescisórias, além de indenizações por danos morais individuais.
De acordo com o coordenador regional de Combate ao Trabalho Escravo do MPT-PI, procurador Edno Moura, as condições encontradas comprometiam a saúde, a segurança e a dignidade dos trabalhadores. Já o auditor-fiscal do Trabalho Robson Waldeck destacou que a fiscalização busca assegurar o cumprimento da legislação trabalhista e responsabilizar os empregadores envolvidos em situações semelhantes.
Com este caso, o Piauí chega a 22 resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão registrados somente em 2026. O Ministério Público do Trabalho informou que o caso continuará sendo acompanhado e que avalia a celebração de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o empregador, podendo incluir medidas reparatórias e indenização por danos morais coletivos.
Os órgãos envolvidos reforçam a importância das denúncias para o combate ao trabalho escravo contemporâneo, destacando que as informações podem ser repassadas de forma sigilosa ou anônima pelos canais oficiais de fiscalização.
