O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu uma investigação para apurar possíveis irregularidades no contrato firmado entre a Secretaria de Educação do Piauí (Seduc-PI) e a empresa TRON Robótica Educacional, empreendimento que, embora não tenha o influenciador Whindersson Nunes no quadro societário oficial, é amplamente divulgado pela própria companhia como tendo ligação com o artista.
A apuração ocorre após um relatório do Tribunal de Contas do Estado do Piauí (TCE-PI) identificar indícios de superfaturamento no valor de até R$ 2,9 milhões na execução contratual.
O CONTRATO SOB INVESTIGAÇÃO
O contrato questionado foi firmado em agosto de 2024 e ultrapassa R$ 11 milhões, destinados ao fornecimento de materiais e treinamentos de robótica para estudantes da rede pública estadual do Piauí.
O ministro Aroldo Cedraz, relator do caso no TCU, determinou que tanto a Seduc-PI quanto a TRON apresentem esclarecimentos em até 15 dias. Apesar dos indícios levantados pelo TCE-PI, Cedraz negou pedido para suspender o contrato de imediato.
O QUE APONTOU O TCE-PI
O relatório do TCE-PI, divulgado no final de 2025, menciona indícios de direcionamento, pagamentos indevidos e ausência de entrega de materiais contratados.
Entre os principais pontos citados pela auditoria estão os pagamentos superiores a R$ 2,9 milhões pela entrega de aproximadamente 15 mil unidades de materiais pedagógicos; relatos de escolas informando que não receberam materiais físicos nem e-books; e divergências entre os itens registrados como entregues e o que estava previsto no contrato.
O TCE-PI concluiu que os dados sugerem possível pagamento por itens não entregues, configurando superfaturamento por não execução.
LIGAÇÃO ENTRE A TRON E WHINDERSSON
Embora Whindersson não seja formalmente sócio no cadastro da Receita Federal, a própria TRON utiliza a imagem do influenciador em materiais de divulgação, o próprio artista já afirmou publicamente ter “uma empresa no Piauí”, e o governador Rafael Fonteles já se referiu a Whindersson como “sócio” da empresa ao comentar parcerias tecnológicas no estado.
O TCE-PI, contudo, não menciona o nome do influenciador no relatório, já que sua participação não é formal na estrutura societária da empresa.
PRÓXIMOS PASSOS
O TCU aguarda as respostas da Seduc-PI e da TRON para decidir se abre um processo de fiscalização mais amplo. A investigação ocorre em meio à expansão de programas de robótica em escolas do Piauí, financiados com recursos públicos e apresentados como parte das ações de inovação educacional do governo estadual.
INFORMAÇÕES: METRÓPOLES

