Deputado critica redução da jornada e questiona lazer de trabalhadores pobres

O debate sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1, regime em que trabalhadores cumprem seis dias seguidos de trabalho para apenas um dia de descanso, ganhou força nesta semana no Congresso Nacional.

O presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira (SP), se posicionou publicamente contra a mudança, afirmando que a redução da jornada pode gerar consequências “prejudiciais” à economia e à própria população. Em entrevista à Folha de S.Paulo, na quarta-feira (25/02), o parlamentar defendeu que “quanto mais trabalho, mais prosperidade” e pediu cautela na tramitação da PEC, especialmente em ano eleitoral.

Já nesta quinta-feira (26/02), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, afirmou que o fim da escala 6×1 é uma das prioridades da Casa e pode ser votado em maio no plenário.

DECLARAÇÃO GEROU REAÇÃO

A fala de Marcos Pereira sobre trabalhadores de baixa renda repercutiu imediatamente nas redes sociais e no meio político. Ao comentar o impacto da ampliação dos dias de descanso, o deputado afirmou:

“Acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também faz mal. O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”

Organizações de trabalhadores e parlamentares de oposição classificaram a declaração como elitista, afirmando que ela ignora o direito básico ao descanso e reforça desigualdades sociais. Especialistas em Direito do Trabalho também ressaltam que jornadas prolongadas estão associadas a adoecimento, queda de produtividade e desgaste emocional, argumentos utilizados mundialmente em debates sobre redução de carga horária.

O QUE ACONTECE AGORA?

A PEC ainda deve passar por análise nas comissões da Câmara antes de ir ao plenário. A expectativa é que o tema enfrente forte pressão de sindicatos, trabalhadores e setores empresariais ao longo dos próximos meses. Caso avance, a votação pode ocorrer em maio, segundo o presidente da Câmara.

Enquanto isso, a fala de Marcos Pereira segue movimentando o debate público ao questionar como trabalhadores de baixa renda utilizariam seu tempo livre, discussão que reacende temas como lazer, desigualdade e dignidade dentro das relações de trabalho no Brasil.

Rolar para cima