Um levantamento do Ministério Público do Trabalho (MPT) aponta que 481 trabalhadores foram resgatados de condições análogas à escravidão no Piauí nos últimos cinco anos. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (28/01), durante ações alusivas ao Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.
O cenário mais recente preocupa. Somente em 2025, 28 pessoas já foram retiradas de situações degradantes no estado, número que representa o dobro do total registrado em todo o ano de 2024. Um dos casos mais graves ocorreu no município de Palmeira do Piauí, onde 23 trabalhadores foram encontrados em condições irregulares durante atividades em uma fazenda.
Segundo o MPT, o Piauí figura entre os estados que mais fornecem mão de obra para outras regiões do país, o que aumenta a vulnerabilidade de trabalhadores que aceitam empregos sem garantias mínimas. Jornadas exaustivas, alojamentos precários e servidão por dívida estão entre as principais irregularidades identificadas.
O procurador do Trabalho Edno Moura ressalta que o trabalho escravo contemporâneo no Piauí muitas vezes não envolve restrição física de liberdade, mas se caracteriza pela violação sistemática de direitos básicos. O MPT reforça que denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque 100 ou diretamente ao órgão.

