Fluxo de R$ 33 milhões liga “Farra do INSS” a empresa investigada por lavagem de dinheiro no Piauí

Um fluxo financeiro de R$ 33.127.323,65, movimentado em apenas seis meses, reforça a ligação entre o esquema conhecido como “Farra do INSS” e uma empresa investigada por possível atuação como estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC) no Piauí.


As movimentações foram realizadas entre novembro de 2024 e abril de 2025 pela empresa Solução Serv e Tecnologia LTDA, que direcionou o montante para a Pima Energia Cegonha LTDA. A Solução é uma das empresas associadas a Natjo de Lima Pinheiro, ex-presidente e ex-tesoureiro da Caixa de Assistência dos Aposentados e Pensionistas (CAAP).

A CAAP está entre as entidades investigadas por aplicar descontos associativos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS, por meio de acordos de cooperação técnica. Segundo as apurações, milhares de beneficiários teriam sido descontados sem autorização.

A Pima Energia Cegonha LTDA, por sua vez, é uma das empresas ligadas à rede de postos HD, no Piauí. Em novembro de 2025, diversos postos do grupo foram alvos da Operação Carbono Oculto 86, da Polícia Civil e da Polícia Militar, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro atribuídas ao PCC por meio da comercialização de combustíveis.


As informações que conectam os dois núcleos aparecem em dados apresentados à CPMI do INSS. A Solução Serv e Tecnologia LTDA teria recebido recursos do esquema de descontos irregulares para, em seguida, repassar quantias milionárias à Pima Energia. O volume e a rapidez das transferências chamaram atenção pelo possível uso de empresas formais para ocultar a origem e a circulação dos valores.

Autoridades investigam se os repasses são compatíveis com o faturamento declarado e se existe elo direto entre os recursos provenientes das fraudes previdenciárias e operações financeiras analisadas na Carbono Oculto 86.

A Operação Carbono Oculto 86 foi deflagrada com foco na investigação de crimes financeiros atribuídos a organizações criminosas. A suspeita é que a rede HD tenha sido utilizada para dar aparência legal a recursos ilícitos por meio do setor de combustíveis.

Até o momento, não há condenações definitivas relacionadas aos fatos investigados, e os envolvidos são considerados suspeitos dentro dos procedimentos oficiais em andamento.

O caso evidencia a possibilidade de que recursos desviados de aposentados e pensionistas tenham sido incorporados a uma estrutura financeira mais ampla, que está sob investigação por suposta atuação ligada ao crime organizado no Piauí.

INFORMAÇÕES: PORTAL AZ

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