Um laudo produzido pela Polícia Federal concluiu que não foram encontradas ordens diretas de compra de votos nem indícios de vínculo com facção criminosa no relatório extraído do celular da vereadora Tatiana Medeiros, presa desde abril de 2024 sob suspeita de crimes eleitorais e envolvimento com organização criminosa. O documento integra a Ação Penal Eleitoral que tramita na Justiça e foi elaborado a partir do relatório técnico de extração forense, já que o aparelho físico não foi disponibilizado aos peritos.
O QUE O LAUDO ENCONTROU
Segundo o perito criminal da PF, Weyler Nunes, no material analisado havia registros de transferências bancárias via Pix no dia da eleição (06/10/2024), imagens de comprovantes de votação e títulos de eleitor, além de planilhas com nomes e quantidades de eleitores.
Mesmo assim, o laudo afirma que não existe determinação explícita de compra de votos atribuída à investigada.
“Apesar de haver referências ao termo ‘compra de votos’, não foi localizada determinação explícita referente ao pleito de 2024 associada à investigada”, aponta o documento.

A PF destaca que, sem acesso ao aparelho físico, não é possível garantir total integridade dos dados, já que mais de 13 mil arquivos foram analisados, o que dificulta uma avaliação completamente exaustiva.
TROCA DE BENEFÍCIOS POR VOTOS
A perícia também informou que não encontrou ordem direta que indicasse a troca de serviços filantrópicos por votos, embora admita que há diálogos que podem sugerir essa possibilidade.
SUSPEITA DE LIGAÇÃO COM FACÇÃO
O laudo descarta indícios de ligação de Tatiana Medeiros com a facção “Bonde dos 40”.
As menções ao nome do grupo aparecem apenas em conversas que comentavam notícias da mídia, sem qualquer interlocução direta com membros da organização criminosa.

SITUAÇÃO DO PROCESSO
Tatiana Medeiros permanece presa preventivamente desde abril de 2024.
A audiência de instrução e julgamento ocorreu no fim de novembro do ano passado, e o processo aguarda sentença.
INFORMAÇÕES/FOTO: CIDADE VERDE

