Imagens compartilhadas por moradores neste domingo (01/03) mostram a diferença visível entre a água mineral e a água que sai das torneiras em Nossa Senhora de Nazaré, no Piauí. A água distribuída pelo sistema público apresenta coloração amarelada e forte odor de cloro; em algumas residências, o cheiro é comparado ao de água sanitária.
Moradores relatam que a água está imprópria para beber, cozinhar e lavar roupas, enfim, para o uso diário. Muitas famílias afirmam não ter condições financeiras para comprar água mineral diariamente, sendo obrigadas a consumir o que chega pelas torneiras.
A situação acende um alerta sobre saúde pública, sobretudo porque a Prefeitura Municipal e a Secretaria de Saúde não emitiram nenhum posicionamento oficial sobre a qualidade do abastecimento ou medidas para correção do problema.
SISTEMA DE ÁGUA FOI VENDIDO À AEGEA, MAS POPULAÇÃO PERMANECE SEM RESPOSTAS
O sistema de abastecimento de água de Nossa Senhora de Nazaré foi vendido pela Prefeitura para a empresa Aegea, que assumiu parte das operações. Entretanto, o valor total da venda nunca foi divulgado, não foi informado como o dinheiro foi utilizado, não houve apresentação de plano de melhoria do abastecimento e não existe previsão pública para a normalização da qualidade da água.
A falta de transparência permanece como uma das maiores reclamações da população.
REVOLTA E PREOCUPAÇÃO
O clima de insatisfação cresce porque, além da água de baixa qualidade, os moradores sabem que em breve terão de pagar tarifa mensal pelo serviço, apesar de não receberem água adequada para consumo humano.
Enquanto isso, famílias seguem expostas a riscos sanitários, sem esclarecimentos oficiais e sem qualquer garantia de melhorias.
RELEMBRE AS POLÊMICAS NA CÂMARA MUNICIPAL
O tema da água já gerou debates e atritos entre vereadores nos últimos meses. Apenas o vereador Sassá (PT) cobrou respostas e transparência, enquanto vereadores aliados ao prefeito permaneceram em silêncio ou defenderam a gestão.
Venda do SAAE e uso do dinheiro
Em sessão realizada no dia 19 de setembro, a vereadora Patrícia Fortes (PSD) afirmou que parte do valor da venda já havia sido recebida e que “sairia outra parcelinha para o prefeito Zé Henrique arcar com os festejos” de Nossa Senhora de Nazaré.
A fala repercutiu porque a negociação não passou pela Câmara, não foi informada à população e o destino do dinheiro permanece sem clareza.
Na ocasião, o vereador Sassá questionou:
“Vendeu a água para fazer festejo? Eu pensei que era para saúde e educação.”
Admissão de que a água não é de qualidade
Em outra sessão, realizada no dia 07 de novembro, Patrícia Fortes voltou a se pronunciar e afirmou:
“É uma água de qualidade? Não.”
Mesmo assim, a vereadora seguiu defendendo o prefeito Zé Henrique, dizendo que “nem Jesus Cristo agradou todo mundo”, frase que provocou críticas entre os moradores.
SEM SOLUÇÃO E SEM TRANSPARÊNCIA
Após meses de reclamações, denúncias, vídeos e debates, nenhuma medida prática foi anunciada pela Prefeitura, pela Secretaria de Saúde ou pela empresa responsável.
A população segue sem água potável, sem informações oficiais, sem esclarecimentos sobre a venda do sistema e sem garantia de que a situação será resolvida.

